Quando Milton Nascimento, cantor e compositor de 82 anos entrou na primeira fileira do cinema no Rio de Janeiro, o sorriso que se formou no rosto dele dizia tudo: era pura emoção. A pré‑estreia do Milton Bituca Nascimento, documentário que revisita a turnê de despedida de 2022 e reúne depoimentos de mais de 40 artistas, aconteceu na noite de 17 de março de 2025, poucos dias antes da estreia nacional em 20 de março.
Contexto e produção
O longa‑metraje, com 1 hora e 50 minutos, foi dirigido e roteirizado por Flávia Moraes, que também participou da montagem ao lado de Laura Brum. O roteiro contou ainda com a colaboração de Marcélo Ferla. Para garantir a fidelidade musical, a consultoria artística ficou a cargo de Augusto Nascimento, primo do cantor e produtor musical de longa data.
As filmagens foram realizadas ao longo de dois anos, atravessando três cidades brasileiras nas pré‑estreias: Belo Horizonte, São Paulo e, finalmente, Rio de Janeiro. Cada local trouxe uma energia distinta, refletindo a ligação profunda que Milton tem com diferentes regiões do país.
Quem aparece no filme?
O documentário não poupa elogios: mais de 40 nomes de peso – nacionais e internacionais – aparecem em tela, formando um verdadeiro corredor de memórias. Entre eles, Chico Buarque, João Bosco, Mano Brown, Djavan, Carminho e até o baixista de jazz Stanley Clarke. A lista completa inclui:
- Chico Amaral
- Ronaldo Bastos
- Tim Bernardes
- Lô Borges
- Márcio Borges
- Mano Brown
- Chico Buarque
- Mario Caldato Jr.
- Moogie Canazio
- Carminho
- Stanley Clarke
- Criolo
- Krishna Das
- Djonga
- Maria Gadú
Essas vozes dão ao filme o tom de celebração, mas também de intimidade, com histórias que poucos conhecem – como o encontro de Milton com fãs na Europa durante a turnê de despedida.
Reação de Milton e dos envolvidos
Ao término da exibição, Milton se levantou, ainda emocionado, e declarou: "Meu sentimento em relação ao filme é de muita felicidade, principalmente quando penso nos tantos amigos preciosos que a vida me deu e que estão ali presentes. Sou grato por todo o carinho e amor que recebo de tanta gente. Durante toda a minha trajetória, fui guiado pelas amizades e pela música e isso é o que realmente importa na minha vida". A declaração, capturada pelos microfones da produção, ecoou pelos corredores do cinema e fez com que a plateia, que incluía familiares e colegas de profissão, compartilhasse o mesmo momento de reverência.
Flávia Moraes, ao comentar a estreia, ressaltou que o objetivo era criar “uma tentativa de entender a complexidade simples da obra de Milton e da alma brasileira”. Já Augusto Nascimento destacou a importância de registrar não só o espetáculo, mas os bastidores – as conversas nos camarins, as trocas de olhares com o público.
Distribuição e próximas exibições
Produzido por um consórcio que inclui Canal Azul, Gullane, Nascimento Música e Claro, o filme teve sua distribuição a cargo da Gullane+. Depois da cartaz nos cinemas, a obra chegou ao streaming da Globoplay em 13 de abril de 2025, disponível em 4K com áudio 5.1 surround. A classificação etária é de 10 anos, permitindo que jovens descubram a trajetória de um dos ícones da MPB.
Para fechar o ciclo, o documentário será exibido no Canal Bis em 25 de outubro de 2025, à meia‑noite, como homenagem ao aniversário do artista, que acontece em 26 de outubro. Essa estratégia de exibição cria um efeito de “filme‑evento”, reforçando a presença contínua de Milton na cultura popular.
Impacto e perspectivas
Com avaliação de 7,9/10 no IMDb, baseada em 56 votos, o documentário já recebeu duas indicações a premiações ainda não divulgadas. Críticos apontam que, além de ser uma biografia visual, ele funciona como um arquivo histórico da música brasileira dos últimos 50 anos. O uso de 5.1 surround, aliado a entrevistas em múltiplas línguas, amplia o alcance internacional, algo que poderia abrir portas para futuras coproduções com redes europeias.
Para os fãs, o filme oferece um ponto de referência: será fácil rever a turnê de 2022, assistir aos reencontros com fãs e, sobretudo, sentir novamente a energia que Milton cria ao subir ao palco. E, para a indústria, demonstra que projetos de nicho – como um documentário sobre um único artista – ainda têm força de bilheteria quando bem produzidos e distribuídos.
Frequently Asked Questions
Como o documentário retrata a turnê de despedida de 2022?
A produção acompanha ensaios, shows e momentos nos bastidores, mostrando a conexão de Milton com o público em cidades como Londres, São Paulo e Nova York. Cenas inéditas de entrevistas com a equipe de produção e fãs são intercaladas, dando ao espectador sensação de estar dentro da turnê.
Quem são as principais personalidades que aparecem no filme?
Além de Milton, o documentário traz depoimentos de nomes como Chico Buarque, Djavan, Mano Brown, Carminho, Stanley Clarke e Krishna Das, totalizando 43 entrevistados que falam sobre amizade, influência musical e legado cultural.
Quando e onde posso assistir ao filme?
A estreia nos cinemas foi em 20 de março de 2025, com pré‑estreias em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro. O longa está disponível no Globoplay desde 13 de abril de 2025 e será transmitido no Canal Bis em 25 de outubro de 2025 à meia‑noite.
Qual a importância cultural do documentário?
Ele consolida a trajetória de Milton Nascimento como símbolo da MPB, preservando imagens raras e testemunhos de artistas que foram influenciados por ele. Serve também como material de estudo para músicos e pesquisadores interessados na evolução da música popular brasileira nas últimas décadas.
Quais empresas estiveram por trás da produção?
A produção contou com a colaboração de Canal Azul, Gullane, Nascimento Música e Claro, com distribuição feita pela Gullane+. A equipe executiva inclui Liz Reis, Gabriela Tocchio, Ana Saito e Pablo Torrecillas.
Comentários
Marcus Ness
outubro 3, 2025O documentário 'Milton Bituca Nascimento' traz uma visão abrangente da turnê de despedida de 2022, reunindo depoimentos de mais de 40 artistas. A produção conta com a direção de Flávia Moraes e roteiro de Marcélo Ferla, garantindo uma abordagem técnica e sensível. A trilha sonora está disponível em 4K com áudio 5.1 no Globoplay, o que permite apreciar cada nuance harmônica. Além disso, a avaliação de 7,9 no IMDb sinaliza um reconhecimento positivo da crítica especializada.
Andreza Tibana
outubro 13, 2025Olha, eu achei o filme meio arrastado, tipo, fala muito e não entrega nada de novo, srs.
Erisvaldo Pedrosa
outubro 23, 2025É evidente que a narrativa cinematográfica tenta elevar Milton a um mito quase divino, mas peca ao sacrificar a análise crítica em favor de brilho sentimental. A ausência de questionamento sobre o papel da indústria cultural revela uma complacência perigosa. Somente um olhar mais desafiador poderia transcender a mera hagiografia.
Rodrigo Júnior
novembro 2, 2025Concordo que a obra poderia aprofundar alguns aspectos, porém vale reconhecer o esforço em captar a intimidade dos bastidores, como evidencia a presença de Augusto Nascimento na consultoria musical. Essa atenção aos detalhes enriquece a experiência do espectador e preserva momentos raros da história da MPB.
Marcus Sohlberg
novembro 12, 2025Enquanto todo mundo elogia o streaming em 4K, eu fico desconfiado de que a qualidade foi inflada para vender mais assinaturas, como se fosse um plano oculto das grandes plataformas.
Samara Coutinho
novembro 22, 2025Assistir ao documentário é como abrir um baú de memórias que se estendem por cinco décadas da MPB. Cada entrevista traz nuances que revelam como Milton influenciou correntes musicais que vão do samba ao jazz, passando por experimentos eletrônicos. O fato de ter captação 5.1 surround permite perceber a textura dos acordes que habitam os bastidores, algo que raramente se escuta em gravações ao vivo. Além disso, a presença de artistas internacionais como Stanley Clarke demonstra a ponte que Milton construiu entre o Brasil e o cenário global. As imagens de shows em Londres, Nova Iorque e Paris são intercaladas com cenas intimistas nos camarins, oferecendo uma perspectiva quase confidencial. O diretor Flávia Moraes optou por uma narrativa não linear, o que pode confundir o público casual, mas recompensa quem busca profundidade analítica. O roteiro, co‑escrito por Marcélo Ferla, inseriu trechos de carta que Milton escreveu nos últimos anos, acrescentando um tom poético ao filme. A consultoria de Augusto Nascimento garante que as partituras sejam reproduzidas com fidelidade, evitando simplificações que diluem a complexidade harmônica. A trilha sonora, que inclui faixas inéditas, funciona como um estudo de caso para estudantes de teoria musical. A crítica tem apontado que o filme serve também como arquivo histórico, útil para pesquisadores que investigam a evolução da música popular brasileira. A estratégia de distribuição - cinemas, streaming, e transmissão noturna no Canal Bis - cria múltiplos pontos de contato, ampliando o alcance demográfico. A classificação 10+ abre espaço para que jovens estudantes descubram o legado, enquanto o rating de 7,9 no IMDb indica aprovação moderada, mas não unânime. As indicações a premiações ainda não reveladas sugerem que a indústria reconhece o esforço de preservação cultural. Por fim, a emoção visível no rosto de Milton durante a pré‑estreia reflete o sucesso da obra em captar a essência de um artista que tem sido, ao longo de toda a sua vida, um símbolo de resistência e criatividade.
Thais Xavier
dezembro 2, 2025Uau, que emoção ao ver Milton no cinema, foi como se o coração da música brasileira batesse mais forte dentro de mim! Cada lágrima que caiu na tela parecia recarregar a alma de todo fã que acompanha sua jornada.
Elisa Santana
dezembro 12, 2025Vish, eu to muito sentindo a vibe, ainda não consigo parar de pensar nas musiquinhas que ele cantou nos meus rolês de infância, kkk.
Willian Binder
dezembro 22, 2025O filme é um épico visual que transcende gerações.
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