O Grupo Mateus está passando por uma das fases mais turbulentas de sua história. A gigante do varejo alimentar, com sede em São Luís, Maranhão, anunciou o fechamento de 28 lojas e o corte de 6.600 empregos. O movimento faz parte de uma reorganização urgente após a revelação de um erro contábil gigantesco de R$ 1,1 bilhão.

A notícia chegou aos investidores em março de 2026, mas os efeitos se estendem até hoje. Em maio, durante a divulgação dos resultados do primeiro trimestre, a empresa confirmou que a estratégia é cortar custos agressivamente. As ações despencaram 14% em uma única sessão, evaporando R$ 1,9 bilhão do valor de mercado. Para entender a gravidade: não se trata apenas de números frios, mas de milhares de famílias impactadas e uma confiança abalada.

O Erro Contábil que Abalou o Mercado

O ponto de virada ocorreu em 19 de março de 2026. Durante a apresentação dos resultados do quarto trimestre de 2025, executivos admitiram uma falha grave na valuation de estoques. O problema? Cálculos equivocados do Custo Médio Móvel das Mercadorias Vendidas (CMMV) no balanço patrimonial de 2024.

Márcio Santos, analista financeiro especializado em varejo, destacou que erros dessa magnitude são raros para empresas de grande porte. "Isso indica falhas sistêmicas nos controles internos", afirmou em análise recente. O prejuízo direto foi de R$ 1,1 bilhão, mas o impacto indireto foi ainda maior: o patrimônio líquido da empresa recuou de R$ 9,1 bilhões após um ajuste de R$ 695 milhões.

O mercado reagiu com rapidez. As ações, que já vinham pressionadas, caíram 20% desde o início da semana da divulgação. Investidores institucionais começaram a revisar suas posições, questionando a governança corporativa do grupo. A transparência tardia só aumentou a desconfiança.

Cortes Estruturais e Pressão nas Margens

Além do erro contábil, a realidade operacional do Grupo Mateus é dura. No quarto trimestre de 2025, os custos operacionais cresceram mais de 34%, enquanto a receita líquida teve expansão muito menor. Isso esmagou as margens de lucro.

Em 14 de maio de 2026, ao divulgar os resultados do primeiro trimestre, a empresa reportou um EBITDA de R$ 543 milhões, com margem de apenas 5,8%. Executivos citaram "pressão sobre margens, retração nas vendas e impacto do cenário macroeconômico" como fatores críticos. Juros elevados e consumo fraco são os vilões identificados.

Para conter sangramentos, o grupo decidiu:

  • Fechamento de 28 unidades físicas;
  • Eliminação de 6.600 vagas de trabalho;
  • Redução de investimentos em expansão;
  • Foco na integração das operações no Norte e Nordeste.

A base de lojas caiu para pouco mais de 300 unidades ao final de 2025. A prioridade agora é gerar caixa e melhorar a eficiência operacional, mesmo que isso signifique reduzir presença física.

Histórico de Controvérsias Pesadas

O cenário atual não surge do vácuo. O Grupo Mateus carrega um histórico pesado de questões judiciais e reputacionais que somam pressão adicional à crise financeira.

Em outubro de 2020, um acidente trágico marcou a rede: o desabamento de prateleiras em uma loja em São Luís resultou na morte de uma funcionária de 20 anos e feriu outras pessoas. A empresa foi condenada a pagar R$ 10 milhões por danos morais coletivos e firmou acordo com o Ministério Público em 2021 para implementar medidas de segurança estrutural.

Mais recentemente, em 2024, a Justiça do Maranhão condenou a rede por práticas racistas, fixando indenização de R$ 20 milhões e determinando a criação de um plano antirracista em todas as unidades. Outro caso grave envolve a morte de um homem negro em 2019, dentro de um supermercado, após episódios de violência e acusações de furto. Decisões judiciais em 2025 responsabilizaram funcionários e a empresa.

Esses casos não são apenas manchas no passado; eles afetam diretamente a imagem da marca, a moral dos colaboradores e a relação com a comunidade local. Em tempos de crise, a reputação é tão valiosa quanto o caixa.

O Que Esperar nos Próximos Meses?

O Que Esperar nos Próximos Meses?

O futuro imediato do Grupo Mateus será definido por algumas datas-chave. A Assembleia Geral Ordinária está marcada para 29 de abril de 2026, onde acionistas devem aprovar ou questionar a nova estratégia de gestão. Os resultados do segundo trimestre serão divulgados em agosto, oferecendo uma visão clara se os cortes estão funcionando.

Analisadores do setor acreditam que a sobrevivência do grupo dependerá de três pilares: disciplina fiscal rigorosa, recuperação da confiança dos investidores e melhoria tangível na experiência do cliente. Sem isso, a espiral de descontrole pode continuar.

A mensagem dos executivos é de cautela otimista: "Estamos refazendo a casa", disseram em comunicado. Mas para muitos stakeholders, palavras não bastam. Resultados concretos são exigidos.

Perguntas Frequentes

Quantas lojas o Grupo Mateus fechou em 2025?

O grupo encerrou 28 lojas no ano de 2025 como parte de sua reorganização estrutural. Algumas dessas unidades envolviam o fechamento do setor de eletrodomésticos, enquanto outras foram totalmente descontinuadas. Ao final do período, a rede mantinha uma base de mais de 300 lojas ativas.

Qual foi o valor do erro contábil revelado pela empresa?

Foi identificado um erro de R$ 1,1 bilhão na valorização de estoques no balanço patrimonial de 2024. O equívoco decorreu de falhas nos cálculos do custo médio das mercadorias vendidas (CMMV), levando a um ajuste significativo no patrimônio líquido da empresa.

Quantos empregos foram cortados na reestruturação?

Mais de 6.600 empregos foram eliminados durante o processo de reorganização. O corte visa reduzir despesas operacionais e melhorar a eficiência, refletindo a pressão intensa sobre as margens de lucro e a necessidade de geração de caixa imediata.

Como o mercado reagiu à divulgação do erro contábil?

As ações do Grupo Mateus despencaram 14% em uma única sessão, resultando na perda de R$ 1,9 bilhão de valor de mercado. Desde o início da semana da divulgação, a queda acumulada atingiu 20%, demonstrando a forte reação negativa dos investidores frente às preocupações com governança e estabilidade financeira.

Quais são as próximas datas importantes para os acionistas?

A Assembleia Geral Ordinária está agendada para 29 de abril de 2026, momento crucial para aprovação de estratégias futuras. Além disso, os resultados do segundo trimestre de 2026 serão divulgados em agosto, fornecendo indicadores essenciais sobre a eficácia das medidas de contenção de custos implementadas.