Quem lidera e por que isso importa
Mais de 40 nomes do Brasil entraram na lista dos bilionários da Forbes em 2025, um retrato direto de onde o dinheiro se concentra e de quais setores empurram a economia. No topo, Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, aparece com uma fortuna estimada em R$ 227 bilhões, cerca de US$ 34,5 bilhões. Ele não é só o brasileiro mais rico: é também o mais rico da América do Sul. Essa liderança ajuda a explicar a força da nova economia — tecnologia, plataformas globais e capital de risco — no bolso e no peso político dos super-ricos.
Logo atrás, o poder tradicional dos bancos. Vicky Sarfati Safra & família somam R$ 120,5 bilhões, uma fortuna erguida ao longo de gerações com operações financeiras em vários países. Em terceiro, Jorge Paulo Lemann, com R$ 88 bilhões, representa a escola do investimento ativo e da gestão agressiva de marcas globais. Sua trajetória passa por aquisições e reestruturações de gigantes como Burger King, Tim Hortons e a cervejaria Anheuser-Busch InBev.
Quer um panorama rápido dos três primeiros colocados e o que sustenta cada fortuna? Aqui vai:
- Eduardo Saverin — Tecnologia e investimentos globais; herança da criação do Facebook e alocações em startups e fundos.
- Vicky Sarfati Safra & família — Bancos e gestão de patrimônio; presença internacional e disciplina de capital.
- Jorge Paulo Lemann — Consumo e bebidas via aquisições; foco em eficiência, escala e marcas líderes.
Essa composição diz muito sobre o Brasil: convivem a lógica da inovação digital, o capital bancário tradicional e o consumo de massa. E a lista não para aí. Entre os bilionários brasileiros há dinheiro de setores como proteína animal, construção e concessões, logística, saúde privada, energia e varejo. Essa mistura dá resiliência quando um setor patina, mas também aumenta a exposição a ciclos claros — commodities e juros, por exemplo.
O movimento de ascensão de Saverin também tem um contexto histórico. Em 2022, de acordo com dados de rankings anteriores, Jorge Paulo Lemann aparecia no topo com US$ 16,9 bilhões, enquanto Saverin somava US$ 14,6 bilhões. Em 2025, o jogo virou. Parte dessa virada vem da reprecificação de tecnologia no mundo, com empresas digitais recuperando valor após os solavancos de 2022, e de decisões de alocação que miraram negócios escaláveis e globais.
Para além dos nomes, há uma pergunta que sempre volta: o que faz a lista crescer para “mais de 40” brasileiros? Alguns motores estão bem claros. Primeiro, a melhora de bolsas mundo afora entre 2023 e 2025 reavaliou ações de companhias brasileiras com presença internacional. Segundo, a normalização — ainda que incompleta — de juros em várias economias ajudou a destravar o valor de ativos de risco. Terceiro, o dólar forte (ou fraco) altera a régua quando as fortunas são comparadas em reais e em dólares, criando saltos que parecem bruscos para quem acompanha só um lado do câmbio.
Do outro lado, os bancos seguem firmes. Famílias com negócios financeiros diversificados tendem a atravessar ciclos com menos sobressaltos, por causa de receitas mais estáveis e do controle de riscos. O resultado aparece no ranking: a presença do sobrenome Safra traduz essa longevidade. Já no consumo e bebidas, a tese de escala e eficiência ainda rende, mesmo com períodos de aperto de margem.
No agregado, o Brasil exibe algo raro na região: um conjunto de mais de quarenta grandes fortunas espalhadas por setores distintos, com presença fora do país e uma teia de investimentos cruzados. São bilionários brasileiros que tanto puxam startups quanto mantêm operações industriais e financeiras tradicionais. Para o mercado, isso significa capital disponível para fusões, aquisições e crescimento. Para o país, significa também influência sobre agendas regulatórias e tributárias.

Como a Forbes calcula e o que isso revela sobre a economia
Vale um esclarecimento rápido: a Forbes usa principalmente preços de ações e participações conhecidas, cruzando dados públicos e estimativas para empresas de capital fechado. A fotografia é tirada numa data específica, o que quer dizer que mudanças de mercado podem mexer nos números poucos dias depois. Não é ciência exata, mas é a régua mais acompanhada do mundo para medir grandes patrimônios.
Esse método ajuda a entender por que o ranking mexe tanto com juros e câmbio. Quando a Bolsa sobe, fortunas atreladas a ações disparam. Quando o dólar oscila, o valor em reais pode inflar ou encolher de um mês para o outro. Fortunas de bancos, por sua vez, se movem com o ciclo de crédito, a qualidade das carteiras e as regras de capital. Já quem está em commodities fica à mercê de preços globais e do apetite da China, dos Estados Unidos e da Europa.
O caso de Saverin é didático: mesmo morando fora e investindo em tecnologia internacional, ele vira um espelho da digitalização. O peso de redes sociais e plataformas de anúncios se manteve alto no planeta, e novas frentes — como inteligência artificial — reacenderam o apetite por risco. Quem tinha participação em empresas escaláveis e caixa para atravessar períodos ruins saiu na frente na retomada.
No topo financeiro, a força do nome Safra confirma algo que investidores locais já conhecem: disciplina e diversificação contam. Famílias bancárias tendem a manter estruturas sólidas de gestão de risco e governança, com carteiras pulverizadas em moeda forte. Isso preserva patrimônio quando a maré vira e acelera ganhos quando os preços se recuperam.
Lemann, por sua vez, mostra como a tese de marcas globais permanece válida mesmo depois de crises e reestruturações. Quando uma empresa vende milhões de unidades no mundo todo, pequenas melhorias de eficiência geram muito resultado. É a lógica que sustentou as grandes consolidações de bebidas e de fast food e que ainda garante espaço para criação de valor no longo prazo.
O impacto para o Brasil vai além do quadro de honra. Grandes fortunas financiam rodadas de capital, fundos de private equity e empreendimentos de infraestrutura. A presença de bilionários ligados a logística e energia, por exemplo, costuma antecipar ciclos de investimento em ferrovias, portos, transmissão e renováveis. No varejo e na saúde, a história passa por consolidação — redes ganham escala, reduzem custo e aumentam o alcance.
Há também um efeito de sucessão e profissionalização. Patrimônios desse tamanho quase sempre exigem estruturas robustas de governança, conselhos independentes e planos de longo prazo. Isso se reflete no mercado: companhias mais maduras, menos dependentes do fundador e com rotas claras de capital. Essa transição, silenciosa, conta muito para a qualidade do ambiente de negócios.
Outro ponto que ajuda a ler o ranking de 2025: a janela internacional. Muitas das fortunas brasileiras de hoje nasceram em ativos listados fora do país ou com operações relevantes lá fora. Quem acessou mercados de capitais robustos, diversificou moeda e fez aquisições internacionais colheu resultados mais cedo e com menos volatilidade local.
Para quem acompanha a economia, três variáveis merecem atenção nos próximos meses porque mexem diretamente com o ranking e com o ritmo de novos investimentos:
- Juros: cortes ou altas na taxa básica alteram o valor presente de empresas e destravam (ou travam) planos de expansão.
- Câmbio: dólar mais forte em reais aumenta a fotografia em moeda local, mas pode encarecer dívida e importação de equipamentos.
- Preço de commodities: proteína, minério e energia seguem definindo margem de manobra de vários grupos brasileiros.
Também vale observar a dinâmica de tecnologia. O apetite global por inteligência artificial, computação em nuvem e software de produtividade elevou múltiplos de empresas ligadas a esses temas. Quem investiu cedo e manteve participação ganhou tração em 2025. Isso ajuda a explicar por que o topo da lista brasileira tem rosto de tech, mesmo com o país apoiado em setores clássicos.
No quadro regional, o posto de Saverin como mais rico da América do Sul reforça o peso do Brasil no mapa de capital privado do continente. O país concentra talento, base de consumidores e, agora, um número expressivo de investidores com capacidade de liderar grandes rodadas e aquisições.
Por fim, um lembrete que costuma passar batido: a lista é um retrato do presente, não um veredito para o futuro. Fortunas mudam com decisões empresariais, ciclos setoriais e política econômica. Em 2022, Lemann liderava e Saverin vinha logo atrás. Três anos depois, a ordem se inverteu. Se 2025 trouxer uma virada forte nos juros globais, por exemplo, a régua muda de novo. Esse é o jogo — e é isso que torna o ranking um termômetro útil para entender a economia real.
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